"Ano de política"

 

2008 é mais um ano de eleições, não um “ano de política”, como muita gente fala. Até mesmo porque política se faz mesmo é diariamente, acompanhando as notícias, as ações dos governantes, a postura de parlamentares, membros do executivo, membros de partidos, discutindo idéias, enfim, participando efetivamente da vida política do lugar onde se vive.

No nosso país, porém, são muitos os que dizem não gostar de “política” e se limitam a dela participar com o seu “direito obrigatório” mais fundamental: o voto. Depois, esquecem em quem votaram ou se limitam a reclamar da ação (ou da falta de ação) dos seus candidatos em mesas de bar, em suas casas ou em conversas informais do cotidiano. Nada de acompanhar as sessões da Câmara Municipal ou mesmo ver a TV Câmara ou TV Senado (na verdade, o que parece é que maioria dos que compraram antenas parabólicas o fizeram apenas para ver melhor um único canal...).

O problema da expressão “ano de política” é que fica parecendo que só existe (ou só se faz) política no país de dois em dois anos! Assim, a população segue alienada, alijada do processo político, participando apenas do processo eleitoral. Cabe-lhe, então, só a escolha dos candidatos, muitas vezes motivada por interesses particulares ou informações distorcidas da grande mídia nacional.

Enquanto a população continuar se eximindo da efetiva participação política, os ocupantes de cargos eletivos continuarão livres para burlar as leis, desviar recursos públicos, não cumprir promessas de campanha, pois não serão cobrados por nada disso. Pelo contrário, têm certeza da impunidade dos seus atos e o pior: têm certeza da sua absolvição pelos eleitores, afinal retornam aos mesmos cargos nas próximas eleições “pelos braços do povo”, que já deu provas inequívocas de que tem memória curta.

E muitas vezes, a “memória curta” se transforma em “memória seletiva”, pois as condutas reprováveis do candidato são “esquecidas” por mera conveniência. Não importa o que ele ou seus aliados fizeram meses ou anos atrás. Se vou me favorecer coma a sua eleição, tudo bem, não importa que toda a coletividade se dê mal. É um pensamento mesquinho e muito equivocado: se a coletividade não vai bem, assim também vai o individual. Isso é óbvio!

Esse quadro de omissão política do povo brasileiro só pode lhe trazer os piores resultados possíveis. Se quisermos ver mudanças verdadeiras na situação geral do país, precisamos buscar fontes alternativas de informação, variar a leitura de jornais e revistas e também os canais de TV e, de posse das informações, cobrar com mais veemência dos políticos a sua ação para a melhoria da coletividade. Como dizia o historiador inglês Arnold Toynbee, “o mal daqueles que não gostam de política é que serão governados por aqueles que gostam”.

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BRASIL, Nordeste, AMARGOSA, Homem, de 26 a 35 anos
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